Gonçalo Pereira
Gonçalo Alfredo Alves Pereira nasceu no dia 5 de setembro de 1851, na rua da Nogueira de Cima, atual rua Barjona de Freitas, em Barcelos, e morreu, de uma forma repentina, em 17 de abril de 1925, na sua casa da Avenida da Liberdade. Era filho de Francisco José Pereira e de Maria da Conceição Alves e terceiro de sete irmãos.
Depois de ter concluído a instrução primária, tornou-se marçano, isto é aprendiz de caixeiro, e ainda antes de completar 14 anos emigrou para o Brasil, onde adquiriu considerável fortuna, tornando-se no que ficou conhecido para a história como um “torna-viagem”. Gonçalo Pereira regressou a Barcelos em 1882, com 31 anos de idade.Fervoroso republicano, combateu o regime monárquico até à
sua queda em 1910.
“Gonçalo Pereira tinha todas as condições para triunfar no
Brasil. Era alfabetizado e conhecia a profissão de caixeiro. A sua empresa
tinha casas comerciais em várias localidades do estado de Pernambuco, o que fez
com que tivesse viajado muito e aumentado os seus conhecimentos”. Também
conviveu com pessoas cultas, despertando nele o gosto pela leitura e o
conhecimento.
Depois de ter regressado, viveu, temporariamente, no Porto.
Apoiou as aulas de instrução primária do Clube Democrático Barcelense, pagando
aos professores, comprando mobiliário e utensílios para as escolas, a
secretaria, o gabinete de leitura e a sala das sessões deste clube. Ensinou
ainda a disciplina de escrituração comercial.
Apoiou ativamente o 31 de janeiro, a revolta republicana que
eclodiu no Porto. No dia 8 de outubro de 1910, foi um dos homens que compareceu
na sala das sessões dos Paços do Concelho para proclamar oficialmente a
República em Barcelos.
A sua atividade de apoio à instrução popular ficou
assinalada pela fundação de um asilo-escola agrícola em Barcelos que passaria
por muitas vicissitudes. Para o efeito, foi arrendada a quinta do Bom Sucesso
(no sítio da Granja, em frente ao cemitério municipal), onde começou a
funcionar, em 1906, com um seu importante apoio financeiro.
Mas a quinta do Bom Sucesso não reunia as melhores condições
para o seu funcionamento. Assim, Gonçalo Pereira doou a quinta da Bagoeira
(atual quinta do Aparício, nome do seu sobrinho e herdeiro desta quinta),
comprometendo-se a pagar todas as despesas com a construção do edifício.
O novo e grandioso edifício deveria ter, no rés-do-chão,
sala para festas, salas de aulas, laboratório, biblioteca e museu, gabinete do
diretor, gabinete dos professores, secretaria, salas de estudo, sala de
recreio, refeitório, casa de engomar, cozinha e copa. No 1º andar, deveria ter
dormitórios, vestiário, salas de banho, aposentos para o diretor e para o
pessoal. A instituição tinha capacidade para 150 alunos e o financiamento do
seu mecenas assegurado.
O projeto nunca foi concretizado devido à não aceitação da
proprietária do terreno onde deveria ser construído o edifício, tentando-se por
diversas vezes, sem êxito, a sua expropriação.
Desgostoso, Gonçalo Pereira, anulou a doação da quinta e o
asilo-escola agrícola foi encerrado. A partir de 1922, doze alunos foram
subsidiados pela instituição e postos a estudar na Escola Prática de
Agricultura “Conde de S. Bento”, em Santo Tirso.
A Comissão Administrativa fez várias tentativas para
adquirir um prédio para instalar definitivamente o asilo-escola, optando-se
pela Quinta do Sancho, em Barcelinhos, já depois da morte de Gonçalo Pereira.
As obras iniciaram-se em 1940, construiu-se a adega, o
celeiro, as cortes do gado, os cobertos e a eira, mas nunca o edifício
principal que albergasse as salas de aula para os alunos. Tentou-se o apoio do
Estado, mas o sonho de Gonçalo Pereira nunca se viria a concretizar
devidamente.
No 5º aniversário do seu falecimento, o reconhecimento de
Barcelos e do governo de Portugal pelo seu contributo dado à educação, foi-lhe
consagrado com a atribuição do seu nome à escola de ensino primário elementar
da sede do Concelho. Esta escola funcionava então no edifício do antigo colégio
dos Sagrados Corações de Jesus e Maria, na rua Duques de Bragança, em frente ao
Solar dos Pinheiros. Mais tarde transferiu-se para o edifício da Avenida dos
Combatentes da Grande Guerra, a atual Escola Superior de Design.


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