Mensagens

O comboio no Concelho de Barcelos

Imagem
Por José Salvador Ballester A Linha do Minho é uma ligação ferroviária no norte de Portugal que liga a cidade do Porto à cidade de Valença, na fronteira com Espanha..     O início das obras de tamanha empreitada aconteceu a 8 de Maio de 1872, tendo a ligação Porto (Campanhã) até Nine, com a extensão de 39 km, sido inaugurada e posta à exploração a 20 de Maio de 1875. Mais de dois anos depois, a 21 de Outubro de 1877, a curta ligação, de cerca de 11 km até Barcelos, seria então inaugurada. No dia 1 de Julho de 1878 a ligação de cerca de 54 km que une Barcelos a Caminha fica concluída, e, no dia 15 de Janeiro de 1879, a ligação de 21 km de Caminha a S. Pedro da Torre. Finalmente, no dia 6 de Agosto, ficam completos os 4 km de ligação até Valença. A ligação dos 11 km que separam Nine de Barcelos compreende a passagem sobre o rio Cávado. Para esta travessia seria necessário construir uma ponte. É, logo após a conclusão da ligação ferroviária até Braga, em 20 de Maio de 1875,...

Marconi

Imagem
Diz-se que um brasileiro é um português com açúcar. Marconi, com a sua doçura, a simpatia extrema aliada ao seu tom escuro da pele, é puro chocolate negro. A vida colocou-lhe agora uns cabelos brancos no alto da cabeça e acrescentou-lhe muita sabedoria somando-a à inteligência e irreverência que já possuía. Aterrou em Portugal aos 20 anos para jogar no Gil Vicente. Vinha do Sport Club do Recife e - todos pela mão do lendário treinador Joaquim Meirim - com ele vieram Celton, Pedrinho, Dejair, Nivaldo, o uruguaio Cardoso e Fraga, que pouco tempo esteve cá. Um sexteto de luxo de uma forte equipa do Gil que fez furor na década de 1970 do século passado. Em momentos posteriores ainda chegaram mais alguns futebolistas brasileiros, no que foi uma leva de bons jogadores que acrescentaram muito valor ao plantel do Gil Vicente desses tempos. Dejair era o guarda-redes. Como Marconi, acabou por se fixar em Barcelos. Celton era o defesa central, um possante jogador de cabelo longo e negro, fica...

Os Vieiras (Futebol Clube)

Imagem
Os Vieiras são uma daquelas famílias tradicionais portuguesas: numerosa e absolutamente toda virada para o futebol. Um dos factos curiosos é que, embora conhecidos por Vieiras, o apelido da família é Pimenta. O nome Vieira herdaram-no do avô, sem ter ficado registado como apelido de família.  Mário Vieira, conhecido jornalista e compositor do Barcelos Popular, conta que já vão na quarta geração de futebolistas: a primeira foi a do seu pai, Augusto, e tios: Armando, Domingos e Raúl.  Ainda o Gil Vicente não existia e já Augusto e os irmãos davam os primeiros chutos e participavam na organização dos clubes que o antecederam como o Barcellos Sporting Club, a União Barcelense, o Triunfo Sport Clube e o Operário Futebol Clube. Tempos em que os jovens desportistas jogavam em cada semana por um clube diferente, ou em que as famílias eram responsáveis à vez pela lavagem dos equipamentos…   Augusto, nascido em 1914, era um ala esquerdo e foi capitão de equipa. Armando era um ...

Berto "Grande"

Imagem
Alberto Silva andou comigo na escola, no ciclo, talvez no restante liceu, na velha casa do Sá Carneiro, em Barcelinhos. Já era grande. Ficou o Berto “grande”. Devia ser o mais alto de entre todos os alunos da turma, seguramente dos mais altos da escola toda. Cresceu até ao 1,95 m e enquanto foi atleta pesava 90 kg. Porque era alto e forte foi para defesa central. Mas o seu primeiro destino era ser guarda-redes como o tio, guarda-redes do Gil Vicente, um outro tio, guarda-redes do Vitória de Guimarães e ainda um primo, Augusto Silva, que da baliza do Vitória de Guimarães chegou ao Benfica. Começou a jogar no Gil com 15 anos, na época de 1972/73, nos juniores, porque o clube não tinha juvenis e no velho Adelino Ribeiro Novo jogou oito épocas consecutivas. Tornou-se sénior pela mão de Joaquim Meirim que na altura integrou no plantel principal jogadores como Zé Manel (guarda-redes), Palheiras, Sineiro, Ruca, Fernandes, entre outros jovens da terra, numa prática pouco habitual, diz Bert...

Alfredo “Rabazolas”

Imagem
O seu poiso é a Senhora da Ponte, sempre fiel a Barcelinhos, a terra onde nasceu e onde sempre viveu. O seu amparo são duas muletas com que se desloca nas suas deambulações diárias pela vizinhança. “Ai Alfredo, Alfredo, quem te viu e quem te vê!”, exclama entre o lamento e a piada. Alfredo “Rabazolas”, 89 anos de idade, guarda-redes do Gil Vicente nas décadas de 50 e 60 do século anterior, para quem não o viu jogar, como eu, tem foros de lenda, de herói das balizas gilistas, de estrela principal de muitas histórias. As memórias já as guarda só para si, que vão longe, muito longe… Ou reparte-as com quem calha, com a família, com os amigos. Divaga sobre uma vida repartida pelo Gil Vicente, pelos Bombeiros de Barcelinhos, pelo grupo coral e orfeão, pelo rancho folclórico, que ajudou a criar, sem contar com a tropa na Calçada da Ajuda, em Lisboa. Não é fácil ligar o discurso que vai saltando de episódio em episódio: “Corri as 7 partidas do mundo”, diz. Tem uma cara jovem e o mesmo prov...